sábado, 6 de novembro de 2010

Lagoa de Albufeira, 05-11-2010

A noite de ontem na Lagoa de albufeira apesar da grande humidade acabou por ser proveitosa.
Cheguei ao local por volta das 20:45 e já lá se encontravam o Francisco Gomes e o Rui Branco. Depois chegou o Rui André e mais pessoas que não conhecia (o Fábio Pina, a Rita, o Bruno, a Claúdia e o Hugo que levou um Meade ETX70).

Montei o Orion Sky-Quest XX12i e ainda observei bastante até terminar a bateria de alimentação das fitas desembaciadoras e a água tomar conta de tudo.
O céu estava com pouca transparência mas ainda deu boas vistas de Júpiter e dos grandes clássicos; nebulosa de Orion M42, das nebulosas do alter (grande M27 e pequeno M76), Galáxia de Andromeda M32 e as companheiras M31 e M110 que ficavam lindas no campo da nagler 26. Ainda espreitei a nebulosa do Veu NGC6960 com a nagler 31 do Rui André com o seu filtro NPB, mas a noite não estava especial para essa vista. M1 estava fraquíssima, comprovando a grande degradação do céu por aquelas bandas.

De facto é assustadora a perda de qualidade do céu aqui nas redondezas de Lisboa, pois já não há aquele céu negro que em noites de Lua nova, nem víamos a cara uns dos outros nem as matrículas dos carros, como tínhamos lá na Atalaia e em Colar de Perdizes à 10 anos atrás.

Anda passei por Cassiopeia e pelo enxame do ET NGC457 e por Perseu pelos clássicos duplos NGC 869 e NGC 884.
Visitei a nebulosa em Lira M57 no Orion XX14i do Luis Ramos e o ponto alto foi observar nele a estrela R-Leporis - Hind's Crimson Star, uma bela estrela variável (6.0 a 9.7-11.7), gigante vermelha (500 x o diâmetro do Sol), de cor vermelho-alaranjada, que se destaca totalmente. Muito bonita e uma beleza a ser visitada.
Com o telescópio e oculares todos embaciados, arrumei pouco depois das 02:00 e rumei a casa.



domingo, 12 de setembro de 2010

Lagoa de Albufeira, 11-09-2010

Foi numa noite com alguma poluição luminosa, devido à nebulosidade alta, que fui para o local, tendo-o encontrado totalmente ocupado por tanta gente, que nem dava para contar.
No sitio vários telescópios, de 18", de 12", de 11", de 8", de 6" e outros... faziam as honras aos visitantes e todos íamos podendo espreitar ora por um ora por outro alternadamente.

Os objectos principais da noite foram claro Júpiter e Úrano que andava por perto, assim como a obrigatória M31/M32/M110. Também deu para visitar as nebulosas Veil, Dumbel, Swan, Ring, assim como muitos enxames no Hércules, no Sagitário, em Pégaso e em Cassiopeia e Perseu, assim como assistir à passagem de vários satélites, bem como alguns meteoros e muitos, muitos aviões.
Devido a alguma claridade no céu e ao muito pó que se encontrava no recinto, acabei por deixar o XX12i no interior do carro nem o tendo montado e devido a não ter levado casaco e somente ter um pólo de manga comprida e o gorro e o cachecol, ainda apanhei bastante frio e por volta das duas horas de dia doze, acabei por regressar a casa.
Foi bom encontrar por lá a malta amiga e conversar e rir como é habitual nos nossos divertidos encontros.

domingo, 22 de agosto de 2010

Lagoa de Albufeira, 21-08-2010

Foi de facto uma noite muito agradável, com muita rapaziada amiga e a habitual boa conversa e boa companhia (Francisco Gomes, Paulo Mesquita, Carlos Tenente, Filipa Pimentel, Rui Branco, Carlos Alberto, Luís Ramos, Rodrigo Cunha e um casal de visitantes).

Com a montagem MEADE LXD75 e o Catadioptrico Maksutov Sky-Watcher 5", ainda tive belas vistas da Lua e de Júpiter cujo detalhe era surpreendente, vendo-se perfeitamente detalhe nas bandas e a grande mancha vermelha. Usei unicamente a ocular Baader Planetarium Hyperion Zoom 8-24mm e realmente faz-se a festa espectacularmente sem andar a mudar de ocular permanentemente para obter diferentes amplificações. O pequeno Mak 5" não pára de surpreender pelas belas vistas que fornece nestas noites com a Lua iluminada a 93%. Ainda observei imensos objectos, que sem o Go-To nem me dignaria a tentar localizar numa noite com tanta luz; M3, M13, M92, M57, M31/M32, M34, M15, M27, o enxame duplo de Perseu e Albireu. A configuração dos quatro satélites de Júpiter estava muito interessante com Io e Calisto juntos e com este ultimo fora do plano formado por Ganimedes, Europa e Io.
Ainda tive oportunidade de espreitar pelo binoculo jumbo do Paulo Mesquita, suportado num belo tripé de madeira e só posso dizer que é uma boa alternativa, embora bastante cara (º_º), para observar em noites destas de observação ligeira com muita Lua.

No final da noite, a visão de Júpiter no 14" do Luís Ramos com uma binocular, foi simplesmente divinal. Posso dizer seguramente que nunca tinha observado numa ocular (em duas) o planeta com tanto detalhe e cor. Viam-se imensas bandas de deferentes tonalidades e era possível observar os diferentes vórtices de tempestades, além da enorme mancha vermelha que parecia dar textura ao planeta. Nunca tinha visto nada assim e esta imagem ficar-me-á gravada para comparação com futuras vistas do planeta.

domingo, 20 de junho de 2010

Lagoa de Albufeira, 19-06-2010

Foi uma estreia do novo local, junto à Lagoa de Albufeira, marcada pelas nuvens. Quando sai de Setúbal o céu estava limpo, mas enquanto me deslocava pela A2 e me aproximei da fábrica da Volkswagen, o céu foi ficando tapado de nuvens e assim ficou até chegar ao local junto à lagoa.



Depois a noite foi sendo brindada com algumas abertas que ainda deixaram espreitar para a bela Lua e o belo Saturno no C8 do José Bernardino. Ainda se viram muito bem a Ursa Maior e a Menor, o Boieiro, o Cisne e a Lira, o Dragão, o Golfinho e a Seta, o Escorpião e o Sagitário, mas a capa de nuvens e a presença da Lua a 50% não deixa avaliar bem a qualidade do céu no local. Isso ficará para uma outra noite.
O Orion XX12i nem saiu do carro, mas ainda espreitei pelos outros telescópios dos colegas que tiveram coragem para os montar.
Existem algumas boas clareiras, maiores do que aquela onde ficámos e que permitirão afastar-nos mais da estrada.



A noite ficou marcada pela passagem de imensos satélites que acompanhamos nas suas orbitas polares e pela passagem de um objecto luminoso que de forma inexplicável para mim, piscando em forma de flash, cruzou em cerca de de 2 segundos, pelo menos 90º, desde o zénite até o deixarmos de ver a cerca de 15º de altitude, entre a Vigem e a Balança. Nunca tinha visto nada assim. Passou numa zona sem nuvens e depois não se percebeu se passou por baixo das nuvens ou por entre elas, mas ia sempre piscando. Não era um piscar como os aviões, pois parecia ter um pico de maior intensidade e depois um de menor e depois uma pausa e desta forma cruzou quase 90º a uma velocidade de meteoro... O Paulo Mesquita e o Carlos Alberto e o Francisco e o Rodrigo, o Eduardo e o José Bernardino, também presenciaram e ficaram atónitos. Mais uma coisa esquisita que fica para imaginarmos o que foi.


domingo, 11 de abril de 2010

Atalaia - 10-04-2010


A noite de sábado na Atalaia, foi mais um ameno encontro, sob um céu que já está muito debilitado pelo avanço da poluição luminosa crescente, mas que ainda nos revela muitas coisas para observar.

No local juntaram-se vários telescópios de diversas aberturas; Um Obsession 15", um Orion XX14i, um Orion XX12i, um Meade LB 12", dois 8", um 6". Tambem havia um SC8" e alguns refractores, binóculos e câmaras fotográficas. Fazia-se essencialmente observação visual, mas também se fazia astrofotografia na pessoa do Rui Branco, que registou uma excelente M63.

No local encontrei bastantes colegas, amigos e entusiastas do hobbie; Alcino Pacheco, Alfonso Portela, João Nuno, Alberto Fernando, José Ribeiro, Mariana Vargas, Vitor Vargas, David Leriche, Filipa Pimentel, Rui Branco, Nuno Carregueira, Luis Ramos e outros que peço desculpa por não ter fixado o nome.

A noite foi marcada por vários meteoritos que de vez em quando faziam ouvir-se exclamações de satisfação, pelos planetas Marte e Saturno e por diversos enxames de estrelas e algumas galáxias e nebulosas.

Ainda pude visitar magníficos objectos desde o Leão até ao Cisne, passando pela Ursa Maior, Cães de Caça, Virgem, Coma Berenice, Hércules, Lira e Escorpião. Destaco o Trio de Leão (M65, M66 e NGC 3628), M81 e M82, a estrela dupla Zeta-Mizar, M97, M51, M3, NGC4565, M104, M13 e M92, M57, as estrelas duplas Epsilon-Lirae, a bela dupla Beta-Cygnus Albireu, M80 e M4.
O planeta Marte não mostrou vistas de interesse, mas Saturno estava bonito com os seus anéis quase de perfil e as luas à sua volta.

domingo, 14 de março de 2010

Pego do Altar-Maratona de Messier 13-03-2010

Participei ontem na minha primeira maratona de Messier, evento da astronomia de amadores, que tem como objectivo numa única noite de observação, procurar e visualizar no telescópio, os 110 objectos do catálogo de Messier. Charles Messier, que viveu entre os séculos XVIII e XIX, trabalhou como copista e astrónomo da marinha francesa, tendo catalogado cometas e objectos celestes com grande precisão.

Cheguei ao local de observação, situado junto ao paredão da barragem de Pego Altar, a 12km de Alcácer do Sal, ainda de dia perto das 18:30, tendo instalado no local o Orion sky-quest XX12i. Este telescópio, de 12" munido do sistema intelliscope, revelou-se uma grande mais-valia, dada a sua generosa abertura e o seu sistema de busca é realmente uma maravilha, tendo-me ajudado muitíssimo na pequena "batota" na procura dos objectos no céu.

No local, várias dezenas de astrónomos amadores, ocupavam-se de observar, de astrofotografar ou simplesmente de conviver em boa e amena conversa.
Tendo utilizado unicamente uma Nagler T5 26mm e uma Powermate 2x, ainda consegui observar 80 objectos, tendo falhado o primeiro, a M74, que ficava disperso na zona de poluição luminosa a oeste e tendo terminado na M39, já perto das 03:00. A M71 já não consegui observar pois estava muito baixa no horizonte e o cansaço apoderou-se de mim e fiquei por ali mesmo, tendo depois desmontado o material e rumado a casa.

Foi uma noite bem passada e em boa companhia e uma experiencia interessante, num local muito agradável e bonito, que apesar de não possuir um céu muito escuro e ter alguma poluição luminosa, é muito apropriado para eventos deste género.
Os planetas Marte e Saturno ainda nos brindaram com o seu agradável e intenso brilho e se Marte revelava pouco detalhe, mesmo com a ocular Nagler T6 5mm, já Saturno com os seus anéis de lado (edge-on) fornecia uma visão única. Só nalgumas vezes se conseguia ver detalhe da sua superfície, pois parecia que a humidade na atmosfera não o queria deixar desvendar completamente.
Aqui fica por ordem a lista dos objectos observados, seguindo o excelente guia Star Hopping Guide to the Messier Marathon de Rob Hawley e algumas fotos que tirei no local: M77, M33, M32, M32, M110, M52, M103, M76, M34, M45, M79, M42, M43, M78, M1, M35, M37, M36, M38, M41, M93, M47, M46, M50, M48, M44, M67, M95, M96, M105, M65, M66, M81, M82, M97, M108, M109, M40, M106, M94, M63, M51, M101, M102, M53, M64, M3, M98, M99, M100, M85, M84, M86, M87, M89, M90, M88, M91, M58, M59, M60, M49, M61, M104, M68, M83, M5, M13, M92, M107, M12, M10, M14, M57, M56, M9, M4, M80, M29, M39.














segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

08-01-10
Se nós astrónomos amadores somos dependentes de alguma coisa, é da meteorologia.

Com melhores perspectivas para hoje, Sexta-feira, lá fui eu mais uma vez para o nosso cantinho.
Quando cheguei já lá estava o Rui Tripa, o João Nuno e o Rui Branco.

O céu estava bom, a transparência pareceu-me bastante razoável, e a humidade estava lá para nos chatear.

Eu estive Entretido a caçar alguns NGC´s entre eles um que gostei particularmente foi o NGC 2950 situado na Ursa Maior. Para lá chegar aponta-se para a Upsilon UMa desvia-se cerca de 1 grau para sudoeste e lá está ela. Uma galáxia espiral-barrada de magnitude 10.9. Embora tenha uma magnitude respeitável para o meu pequeno refractor de 4 polegadas, foi relativamente fácil de detecta-la. Nota-se sem sombra de duvida que ela é mais alongada num dos eixos.
Outra galáxia que se encontra na Ursa Maior e que também a vi foi a NGC 2742 com magnitude de 11.4. Foi mais difícil de ver esta "pequena" galáxia e a sua forma espiral apenas pode ser adivinhada. para lá ir ter tracem uma linha imaginária entre Upsilon UMa e Omicron UMa, a galáxia encontra-se nessa linha um pouco a mais de meio caminho de Omicron UMa.
Ouve dois objectos que não consegui ver. Suponho que a qualidade dos céus Ataláicos não ajude à minha demanda por NGC´s esquisitos. Foi o NGC1501 uma nebulosa planetária em Camelopardalis e também o NGC 1961 uma galáxia também em Camelopardalis.

Marte esteve bastante razoável. A 182x a calota polar norte era facilmente visivel e com um tamanho considerável. Também se via as zonas mais escuras no meridiano do planeta perfeitamente bem definidas.

Estive a ver a M42 pelo Binoviewer do João Nuno no seu Televue 102. Tinha uma opinião pouco fundamentada deste tipo de acessório. Os binoviewers têm tendência para perder luz devido ás óbvias limitações físicas. Ter de dividir a luz por dois caminhos dá origem perdas. Mas o que se ganha ter a visão estéreo ultrapassa bem isso e torna-se muito relaxante observar objectos de céu profundo, a melhor analogia que posso fazer é como se fosse um SPA celestial. Podia ter ficado horas a olhar para a M42 e aquela pontinha de detalhe que se perde ganha-se numa espécie de banho imersão de estrelas. Obrigado João.

Enquanto eu estava deliciado com esta visão o Rui Tripa desejava que a sua montagem não tivesse os olhos em bico e que a sua qualidade de seguimento fosse melhor. O Rui Branco esteve também a fazer imagem, e enquanto isso sempre dava uns passeios para se aquecer. Sim porque estava frio. Quando me fui embora o termómetro do meu fiel amigo de quatro rodas marcava uns refrescantes -0,5 graus centígrados. Entretanto estava uns senhores ao meu lado, mas não me recordo do nome deles, não se ofendam por isso. O meu cérebro estava meio adormecido.

Um aviso para quem for, na ultima curva antes de chegar ao recinto, o piso está muito mole, cheguem-se para o lado da cerca. Eu não fiquei atolado, mas parace que o Rui Tripa e outra pessoa tiveram esse azar.

Luis Evangelista.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Atalaia - 19-12-2009


A passada noite de sábado na Atalaia, ficou caracterizada pelo frio intenso que se fez sentir, bem como a ausência de humidade.
Cheguei ao local por volta das 22:30 encontrando-se o recinto já muito bem composto com muita gente e vários telescópios.

O frio fez das suas na duração das baterias e bem cedo a minha Heinhel portátil ficou a piscar, apesar de a ter carregado durante todo o dia. Na próxima vez, já sei que deverei proteger a bateria com um resguardo para evitar a acentuada perda de eficiência.

Fui para o recinto de observação acompanhado da Meade LXD75 e do tubo SN10" e ainda tive umas belas vistas do céu, tirando proveito da farta e suficiente abertura para o tipo de céu que se tem actualmente na Atalaia.

Como pontos altos da noite, refiro a observação de espectros de estrelas em gama de Cassiopeia e em Orion (M42), através de um filtro especial (espetroscópio) montado numa ocular no Obsession do Alberto, que junto com o José Ribeiro, tentavam captar o interesse nesse tipo de estudos da luz das estrelas. É uma visão muito interessante, a observação visual da decomposição das linhas de absorção da luz das estrelas, desta forma única e simples. Gostei. Também gostei muito de ver a M42 totalmente cheia de detalhe na grande abertura do Merak 18" do Paulo Mesquita, bem como no Meade 10" do Luis Evangelista e no C8 do Ahlberto. O Mak do Francisco Gomes, naquela montagem giro, dá sempre boas imagens de Marte. Ainda espreitei pelo Mak do Eduardo Miranda e por um pequeno ETX75 que penso pertencer ao Luis Ramos. O Rui Branco e o Luis Campos tinham os equipamentos a captar fotões em longas exposições e havia mais pessoas noutros telescópios e em animadas conversas.

Ainda tirei bastante proveito da noite, tendo observado com o SN10 os planetas Marte e Saturno e bastantes galaxias e algumas nebulosas e enxames; M31/M32/M110 em Andromeda, M42 em Orion, M46 e NGC2438 em Puppis, M81/M82 na Ursa Maior, M65/M66 e NGC 3628 no Leão (o célebre Trio de Leão) e M95/M96 e M105 no Leão. O céu estava com um contraste muito pobre, não sendo estes tripletos no Leão observados com grande contraste.
Foi em suma uma noite muito fria, mas agradável, tendo saído do local perto das 02:15.
Aqui ficam algumas imagens tiradas captadas com a reflex digital.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Atalaia - 11-12-2009


A observação nocturna na Atalaia, ontem dia 11-12-2009, ficou assinalada pela data em si "onze do doze"! Bem visto, foi também "doze do doze", pois já sai de lá "hoje". Na quarta-feira 12-12-2012, espero estar lá também para observar e celebrar o céu e a camaradagem. E camaradagem foi o que encontrei na noite passada, além da boa disposição e espontâneo partilhar do local e de conhecimentos e experiências.


Cheguei já perto da 21:30 e o local já estava bem povoado, como o pessoal a armar as montagens e telescópios.
O céu estava atravessado de filamentos de nuvens, sobretudo a Oeste, deixando livre um grande zona de Sudoeste a Nordeste. Orion já estava alta e havia muita coisa para observar.
A noite apresentou-se muito húmida também e um pouco fria, quando cerca das 23:30 começou a soprar um vento ligeiro e gelado.


Levei para observar, a Meade LXD75 e o SkyWatcher Maksutov 127mm e testei nele a nova diagonal dieléctrica da William Optics, tendo dado descanso ao SN10, depois do banho de humidade da noite anterior. Fiz tambem testes com a nova objectiva Samyang 8mm F3.5 Fish-Eye CS, na Canon 350D.


Após alinhar a montagem e equilibrar o tubo e alinhar o autostar, dei um chuto na bateria Einhel e esta desligou-se. Tinha um fusível de 15A e fiquei em blackout. A sorte foi o Rui Branco ter um fusível de 10A sobressalente e mo ter dado. Obrigado Rui.

Fiz a montagem do Kendriks e das fitas aquecedoras na ocular e no buscador e muito úteis foram, só que drenaram a bateria, que já não levava carga à uns meses e já perto do fim da noite o controlador desligou.



A noite ainda mostrou muita coisa, quer nebulosas em Orion e no Touro, enxames de estrelas no Cocheiro e no Caranguejo e galáxias na Ursa Maior. O planeta Marte também deu umas vistas definidas, mas não com muito detalhe. Ainda observei algumas estrelas duplas usando a funcionalidade do catálogo de busca do Autostar.

Foi uma noite em suma muito interessante e foi bom conhecer alguns companheiros do hobbie, com quem normalmente só trocamos mensagens nas listas e fóruns. A vivacidade do Francisco e do Paulo Mesquita é sempre uma maravilha de assistir. E claro, fiquei muito contente com a objectiva Samyang 8mm, deixando aqui fotos tiradas com ela.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Atalaia - 10-12-2009

Ontem, foi realmente uma noite muito enganadora na Atalaia e que se traduziu num fracasso para observação astronómica. A noite até não parecia má a olho nu, com Orion e o Cocheiro já altos e Marte a colocar-se a jeito. Foi até uma noite muito farta em meteoros, tendo visualizado mais de 20 certamente, em cerca de 3 horas que lá estive.
A temperatura estava baixa, por volta dos 6-8ºC e mal cheguei ao local, por volta das 22:30, tive que colocar logo o casaco térmico e o gorro.

Montei a LXD75 com o SN10 e após verificar o equilíbrio da montagem, descobri que necessito de um contrapeso adicional. O Francisco lá me desenrascou um que tinha e não necessitava. Terei que comprar mais um peso de haltere (...).
Depois apontei a Marte e verifiquei a bela instabilidade que reinava na atmosfera. Com o tubo ainda quente e saído do carro, a imagem dançava literalmente e não tinha detalhe nenhum, sendo até muito difícil de focar. Usei a ocular Zoom da Baader e depois a Nagler 12mm, mas a dança e irregularidade permaneciam.
Apontei depois a Orion e a M42 até dava uma imagem de jeito, muito filamentar e leitosa, apesar das estrelas mostrarem ligeiros cometazinhos, o que queria dizer que a colimação do tubo curto, necessitava de um ligeiro ajuste. Pouco a pouco, a imagem de M42, foi ficando cada vez com menos detalhe e até parecia dissolver-se. Verifiquei as lentes e, claro está, já a humidade tinha feito das suas. Lá fui instalar o kendriks na ocular, mas na lente correctora, não havia nada a fazer. Não tinha dew-shield, nem a fita kendrik para o tubo. Ainda roguei umas pragas ao Paulo Mesquita por não ter ido e levado a dita cuja (...), mas os dados já tinham sido lançados. Depois foi um banho literal e o tubo ficou encharcado e deixou de poder observar-se fosse o que fosse.

No Maksutov do Francisco, ainda deu para espreitar um Marte definido e com ligeiro vestígio da calote, fintando por vezes as contorções turbulentas na atmosfera.
No N8 do Rodrigo, ainda espreitei para a M1 e não conseguimos ver M82 e M83, apesar das tentativas frustradas. Manusear um newtoniano numa montagem equatorial e sem buscador, perto do eixo polar, é uma tarefa árdua. O buscador Rigel quick-finder, faz mesmo muita falta e mostrou ser um amigo indispensável.
No seu cantinho, o Rui Branco fazia os seus testes e ajustes e experiencias com o seu novo equipamento e não sei se chegou a fazer alguma captura. Penso que não, pois a noite não estava para essas andanças.
Desmontei depois o equipamento rumei a casa, por volta das 01:30.

Em casa vi aquilo que nunca tinha visto. O SN10 ainda estava embaciado e não só por fora, mas também por dentro!... A lente correctora estava embaciada no interior e no exterior. Via-se muito bem à medida que desembaciava a velocidades diferentes, a humidade nas duas faces da lente. Espreitando para o fundo do tubo, também o primário estava coberto de humidade. Nunca tinha visto uma coisa daquelas. Deixei o tubo a noite toda a descongelar na horizontal e com o focador destapado, para uniformizar a temperatura interior com a a exterior e hoje já estava bom. Estamos sempre a aprender.

Mas, o teste que queria fazer correu bem. Queria verificar como se comporta a LXD75 com o SN10 em cima e posso dizer que aguenta bem com ele. Para observação visual, apesar das folgas, com o tubo bem equilibrado a montagem move-se muito bem e nem se notam esforços nos motores.

domingo, 29 de novembro de 2009

Atalaia - 27-11-2009


Em noite de céu com nuvens e muito nevoeiro, dirigi-me à Atalaia, para mais um encontro com o pessoal conhecido e entusiasta deste hobbie, que é a astronomia amadora e que nos leva a sair do conforto do lar, para o campo à noite.
Foi uma noite de estreias de alguns equipamentos e de troca de outros.


Levei os meus dois tubos newtonianos, um Orion de 8" e um Meade de 6" para troca pelo Schmidt-Newtonian Meade LXD75 SN-10AT do Nuno Carregueira. Eu pouco usava já estes tubos, após a compra do Orion sky-quest XX12i, e o Nuno Carregueira queria desfazer-se dele, pois queria fazer astrofotografia com a Meade LXD75, e esse tubo é muito pesado para a montagem junto com todo o equipamento de captura de imagem.


O tubo está em bom estado, apesar de já ter trocado de mão três vezes e possui um focador eléctrico, o que é sempre interessante.
Resta agora testar o equipamento na montagem Meade LXD75 e ver como se comporta a mesma em observação visual. Isso ficará para uma outra noite.

Levei também a barlow Televue 3x e uma ocular UW 2" 80º, que troquei com o Paulo Mesquita, por uma Barlow Powermate 2" com adaptador da Televue para 1.25".
Foi uma noite de fraca observação, pois um manto de névoa cobria o local, mas ainda deu para ver uma boa M42 no equipamento do Paulo Mesquita e uma bela Lua no C8 do Ahlberto.

domingo, 25 de outubro de 2009

Atalaia 24-10-2009 (IYA2009 - Galilean Nights)


Na sequência do evento mundial da Internation Year os Astronomy IYA2009, Galilean Nights, juntei-me no passado sábado aos colegas astrónomos amadores na Atalaia, numa noite que prometia observação limitada do céu, dadas as previsões atmosféricas locais serem fracas. Mas uma boa aberta ainda deu para observar bastante e para o ameno convívio. Juntei-me no local ao Francisco Gomes, excelso anfitrião do local, Carlos Tenente, Catarina, Filipa Pimentel, Inês Soares, Luís Evangelista, Luís Ramos, Pedro Martins, Rodrigo Cunha, Rui André, Rui Branco, Rui Rebelo, Susana Tavares e Tiago Correia.

A noite para mim, foi um pequeno desastre, tendo acontecido o impensável e o que se julga que nunca nos acontece a nós.



Tendo chegado já por volta das 22:15, com o pequeno SW Maksutov 127mm e a montagem LXD75, após ter cuidadosamente nivelado o tripé da montagem, e montado o pequeno tubo na LXD75, aconteceu o impensável. O tubo caiu ao chão inexplicavelmente, tendo-se partido a diagonal. Mas, milagrosamente, o tubo não ficou danificado na queda de 1m de altura. Devo ter apertado a dovetail em posição incorrecta na LXD75 e ao dirigir-me ao carro para pegar mais acessórios, este soltou-se devido ao peso e caiu. Felizmente o solo é areia fofa e amorteceu a queda, tendo o tubo inexplicavelmente mantido a colimação dos espelhos e mostrado imagens bastante boas.
Agradeço ao Francisco Gomes, por ter tido a boa ideia de levar uma diagonal extra, que me emprestou, permitindo assim que ainda tenha aproveitado a noite de observação.

De seguida, ao equilibrar o tubo na LXD75 com o contrapeso, salta-se a tampa da objectiva do Maksutov e cai no chão com espalhafato. Felizmente também não se danificou.



De seguida, como tinha elevado mais o tripé, o cabo de ligação da LXD75 à estação de energia Einhell, ficou enleado na barra do contrapeso e esticada derruba a estação, que imediatamente se desliga e não funcionou mais. Mais tarde, em casa, verifiquei que foi o fusível de 10A que se quebrou. Felizmente tinha levado o pack de baterias da Meade e pude ainda utilizar a montagem.

Como a noite estava muito húmida, as oculares ficaram embaciadas e não pude observar tanto quanto gostaria, já que não pude usar os desembaciadores devido à estação de energia estar inoperacional.

Mas, após todos estes infortúnios, ainda pude ter boas vistas da Lua, Júpiter e vários objectos no céu, desde galáxias a enxames de estrelas.
A atmosfera estava particularmente estável e a observação de Júpiter com a ocular Zoom Baader Hyperion, estava espectacular, podendo-se ampliar bastante e observar muito detalhe no disco do planeta.

A desfocagem de estrelas foco-in/out mostrou que o pequeno Maksutov ainda apresenta as estrelas com os discos de Airy totalmente concêntricos, apesar do trambolhão.

Os objectos cujas vistas ainda pude desfrutar, foram a galáxia de Andromeda, M31, M32 e M110, as duplas Albireu, bonitas no seu amarelo e azul, M27, NGC884/869, M1, M35, M36, M37, M33, M42, M43.



As vistas no Meade 10" do Luís, com as oculares de grandes campos, eram mesmo muito boas, mostrando como estes telescópios combinam bem com os grandes campos aparentes nas oculares.

Por volta da 01:00 a humidade venceu e deixei de poder usar o pequeno Mak e aproveitei as boas vistas da noite, raiada de pequenos meteoritos.

Já por volta das 02:00, com o nascer de Marte e de Procyon e Sirius, foi tempo de arrumar tudo e rumar a casa.

Destaco da noite, a visita de muita gente curiosa e da magnífica assistência do nosso anfitrião, que se desdobrou em explicações das constelações e nos pontos de interesse no céu e claro, a boa conversa.

domingo, 18 de outubro de 2009

Pego do Altar: 17-10-2009 (IYA2009)



Na noite de sábado, 17-10-2009, fui pela primeira vez ao grande encontro na barragem de Pego do Altar, perto de Alcácer do Sal.
O ponto de encontro foi no largo Luís de Camões no centro de Alcácer do Sal e após algumas cervejas numa esplanada, partimos depois em caravana, oito carros, até ao local na barragem. Entre muitos outros, que não fixei o nome, alem de mim, estiveram presentes: Mariana Vargas, Vitor Vargas, Francisco Gomes, Ema Gomes, Andreia Gomes, Joaquim Rosa, Ana Sousa, Rui Branco, Filipa Pimentel, David, Iolanda Cunha, Rodrigo Cunha, Eduardo Durao.



O local escolhido é amplo e o céu é muito bom, apesar de a noite não estar particularmente limpa e haverem nebulosidades, em especial na zona Oeste, que por vezes cresciam e se confundiam com a Via láctea.



Após montagem do Orion SkyQuest XX12 Intelliscope, desfrutei a noite observando imenso objectos, que com as oculares Baader Zoom Hyperion e a TeleVue Nagler T4 12mm, davam imagens espantosas. Destaco os bonitos enxames e as nebulosas. Dei particular atenção às nebulosas planetárias e a Veil Nébula (NGC 6960, 6992, 6995) e a Orion Nébula (M42/M43) estavam de sonho, com o filtro Astronomik OIII.
A humidade deu mostras da sua presença e tive que instalar e estrear o sistema de desembaciamento Kendriks.

Por volta da 02:00, o sono e o frio venceram-me e arrumei o material e rumei a casa. Foi uma boa noite, a repetir com outra Lua Nova.

(Creditos: Imagem de Rui Branco)

domingo, 20 de setembro de 2009

Atalaia 19-09-2009 - Noite dos grandes telescópios - (IYA2009)

Ontem ainda arrisquei e fui lá à Atalaia, para participar na Noite Dos Grandes Telescópios, apesar do céu estar cheio de nuvens.

Fui já pelas 22:30 e aquilo estava cheiíssimo de carros e mal consegui lá colocar o meu. Quase toda a gente estacionou no limite Norte do terreno e no caminho junto à cerca, ficando a zona Sul do terreno sem carros e depois não se conseguia entrar para o recinto. Mas também, fui dos últimos a chegar... e estacionei junto à estrada no limite do terreno logo após a curva.

Estava lá imensa gente, destacando dos conhecidos, o Francisco Gomes (Dobson 10"), o Rui Tripa (refractor), o Luis Evangelista (refractor), o Anselmo Dias (Obsession 18"), o José Ribeiro (Obsession 18"), o Alberto Fernando (Obsession 15"), o Luis Carreira, o Alfonso Portela, o Miguel Claro, o Carlos Gouveia, a prof. Maria Natália e o Paulo Mesquita e a filha Lara (com o telescópio surpresa, que afinal é o unico Merak de 18" existente), o Rui Branco e a Filipa Pimentel, o David e a Iolanda, o Rui André (10" Orion c/ Intelliscope), o Carlos Pereira, o Carreira Martins, o Eduardo (que me comprou o Dob 8") e muita mais gente que pode ser listada aqui no divertido relato da Filipa e do Rui: Noite dos grandes telescópios.

Lá montei o novo Orion SkyQuest XX12i e tive um pouco dificuldade a montar em cima dos truss o suporte do espelho secundário. O Luis Evangelista deu uma boa ajuda. Em casa é muito fácil fazer a montagem, mas às escuras é mais difícil. Na próxima vez, tenho que ir para lá mais cedo ou treinar mais em casa.

Alinhei o XX12i por Vega e Capela e à primeira ficou um erro Warp-Factor de +1.0 (A Orion aconselha no máximo +/-0.5...). Depois realinhei com Altair e Capela e obtive W-F=0.4. Ainda não é perfeito e nem sempre fica o objecto na ocular. Já vi que no alinhamento, as estrelas têm que ficar mesmo, mesmo, mesmo no centro...

Estreei lá a Baader zoom hyperion 8-24 e é um espectáculo.

Claro que com a nuvens não deu para observar quase nada. Mas ainda tive um Júpiter espectacular. Vi só a M31+M32+M110 (em Andromeda), a M27 (Dumbel na Raposa) e o NGC 436 (ET em Cassiopeia). O espelho levou uma meia hora a arrefecer e no final quando vim, por volta das 02:00, estava com a ocular e o secundário embaciado... Não sei como irei resolver isso, mas tenho que colocar lá uma resistência, pois neste telescópio não dá para colocar dew-shield e o secundário está muito a mercê da intempérie. Veremos.

Veremos se para a semana está um céu melhor para poder testar bem o telescópio.

domingo, 23 de agosto de 2009

Barragem da Vigia/Redondo 22-08-2009 (IYA2009)

Aqui ficam os registos obtidos na noite de sábado para domingo, no mega encontro astronómico de astrónomos amadores, junto à barragem da Vigia, no Redondo, no qual estiveram presentes largas dezenas de pessoas e inúmeros instrumentos de observação. Do pessoal meu conhecido com quem contactei, posso citar o Joaquim Rosa e a Ana Sousa, o Paulo Mesquita, o Francisco Gomes, o Rui André, o Luis Campos, e a professora Natália. A totalidade dos participantes pode ser consultada em Lista de 64 presenças registadas na AstroMania do Redondo


O céu nunca esteve completamente escuro, dada a altura do ano, mas era bem vincado pela presença majestosa da Via Láctea, salpicada de inúmeros objectos para observação, que é aqui impossível de listar, bem como foi sendo sucessivamente cruzado por inúmeros meteoritos, tendo muitos deles suscitado longas exclamações da parte dos sortudos que alternadamente e mais ou menos de forma constante os iam visualizando.


Acompanhado da montagem LXD75 e do Newtoniano 8" e da Canon 350D, ainda deu para regalar o olho, tendo também espreitado nos telescópios do Joaquim Rosa e Ana (SW 120/600 mm) e nos LB 12", no SW 120/1000mm e no SW Mak 127/1500mm do Francisco, tendo obtido vistas espectaculares do céu.


Devido à minha racional falta de paciência para alinhar de forma perfeita a montagem, esta esteve sempre bastante desequilibrada no seguimento do céu, tendo isso sido bem documentado na má qualidade das fotos obtidas, cheios de arrastamentos.
A minha recusa em andar acompanhado de laptops e baterias e softwares de seguimento e enfadonhos programas de empilhagem de imagens, não me deixa registar mais do que simples frames do género olhar e disparar, com a Reflex colocada no foco primário do tubo óptico. Mas, fica aqui o registo do céu quase em bruto e em estado muito amador, mas que também vale mais por isso mesmo.