



Um sitio para os relatos das noites de observação, para publicação das fotos do céu, ou comentários a equipamentos, ou qualquer outra actividade ou assunto relativo à Astronomia que nos pareça pertinente, aproveitando o bom que o céu nocturno ainda tem para nos mostrar.















Fazendo fé no que anteriormente me transmitiram, mal chegamos ao local das observações, verifiquei logo que o céu nos ia facilitar a observação, com grande brilho, de inúmeros corpos da imensidão celeste. As expectativas não goraram e, até às 3:00, com os telescópios expostos para uso (15”, 12” e 6”) e, principalmente pelo tlscp. 12” do J.Gregório, acompanhei-os numa hiper viagem cósmica, com inúmeras etapas em astros, pré e… na hora estudados/escolhidos.
Por indicação do Henrique Ferreira, assistimos a uma espectáculo extra, com inúmeras estrelas reflectidas na água da albufeira. Agradeço-lhe o sugerido, pois fiquei deslumbrado com a decoração, apesar da turbulência, digo águas um pouco agitadas. Observamos, claramente reflectidos na água, Orion e Cão Maior e…, porque não ? !, tentamos e conseguimos com êxito, com um binocular 12x50, observar M41, M42 e as Plêiades-M45.
Além dos objectos abaixo referidos, gostei de observar algumas galáxias do enxame de Virgem-Cabeleira de Berenice (algumas no mesmo campo de oculares grande-angulares). Em anteriores observações, noutros locais, já tinha contado seis ou sete mas desta vez contei mais e... muito mais evidentes.
Com o telescópio 12”, manobrado com mestria pelo proprietário e por quem lhe pediu, observamos CLARAMENTE os objectos a seguir mencionados e outros que me esqueci:
Saturno:
- Muito boas imagens do planeta com algumas das suas luas.
Em Canes Venaciti:
-Alfa (Cor Caroli), sistema estelar duplo físico a 110 anos-luz
-M3, enxame globular a 30 000 anos-luz
-M63, galáxia espiral a 30 milhões anos-luz
-M51, galáxia espiral a 30 milhões anos-luz
-M94, galáxia espiral a 20 milhões anos-luz
-NGC 4485 e NGC 4490, galáxias espirais a 40 milhões anos-luz
Em Canis Major:
-M41, enxame aberto a 2 500 anos-luz
Em Centaurus:
-NGC 5128 (Centaurus A), galáxia peculiar a 20 milhões anos-luz (próxima do horizonte e pouco clara)
-NGC 5139 (Ómega Centauri), enxame globular a 16 000 anos-luz (no horizonte, observado com binóculos)
Em Corvus:
-NGC 4631, nebulosa planetária a 4 000 anos-luz
Em Draco:
-NGC 6543 (Neb.Olho de Gato), nebulosa planetária a 3 000 anos-luz
Em Gemini:
-Alfa Gem (Castor), sistema estelar sêxtuplo físico a 52 anos-luz (observação da estrela dupla)
-M35, enxame aberto a 3 000 anos-luz
-NGC 2392 (Neb. Esquimó), nebulosa planetária a 2 500 anos-luz
Em Hydra:
-NGC 3242 (Neb.Fantasma de Júpiter), nebulosa planetária a 3 000 anos-luz
Em Leo:
-Gama Leo (Algieba), sist. estelar duplo físico a 125 anos-luz
-M65, M66 e NGC3628 (trio do Leão), galáxias espirais a 40 milhões anos-luz
-M95, M96, M105 e NGC3384, galáxias espirais a 40 milhões anos-luz
Em Lyra:
-M57 (Ring Nebula), nebulosa planetária a 1 800 anos-luz
Em Orion:
-M42, nebulosa de emissão a 1400 anos-luz
Em Puppis:
-M46+NGC2438, enxame aberto e neb.planetária, a 6000 e 4 000 anos-luz, respectivamente
-M47, enxame aberto a 1 800 anos-luz
Em Serpens:
-M5, enxame globular a 25 000 anos-luz
Em Ursa Major:
-Zeta UMa (Mizar), sistema estelar físico a 80 anos-luz (observação da est.dupla)
-M81, galáxia espiral a 13 milhões anos-luz
-M82, galáxia irregular a 13 milhões anos-luz
-M97 (Neb. Coruja ou Mocho), nebulosa planetária a 2 500 anos-luz
-M101, galáxia espiral a 25 milhões anos-luz-M108, galáxia espiral a 45 milhões anos-luz
Em Virgo e Coma Berenices (*) :
-M104 (Galax.Sombrero), galáxia espiral a 50 milhões anos-luz
-M64 (Galax. Olho Negro ou Mau Olhar), galáxia espiral a 22 milhões anos-luz
(*) Nestas duas constelações, foram tantas e tão evidentes as galáxias observadas, muitas no mesmo campo da ocular, que nem me preocupei com os Messier.
Até breve.
Depois partimos para Mizar e Alcor. Como se observam facilmente a olho nu ou com binóculos como bonito par, resolvi introduzi-las na mesma ficha, mesmo crendo que pela enorme distância entre elas, não orbitam o mesmo centro de gravidade. De algumas galáxias da Ursa Maior que tentei observar, apenas tive acesso a pequenas, cizentas e ténues nebulosidades. Fica aqui então o trio Mizar A e B + Alcor !

Também observamos a estrela Polar que, desde há milénios, muito útil tem sido para astrónomos, caminheiros, navegantes, etc. para se orientarem.
Passeamos pelo sítio do Corvo e separámos a sua estrela óptica Algorab. Quase no centro da constelação tentei observar a nebulosa planetária NGC 4361 mas, com o meu refractor, com a pouca transparência celeste e com a luminosidade recebida do horizonte (talvez de Pegões), apenas consegui ver uma ténue mancha cinzenta. Como a constelação é pequena, resolvi desenhá-la com a estrela dupla.

Finalmente saltamos para a Juba do Leão, para resolvermos a dupla Algieba e a sua história. A separação da dupla foi fácil mas a miscelânea de histórias e lendas recebidas de alguns povos da antiguidade, nomeadamente, sumérios, gregos, latinos e árabes, foi tanta que, desta vez, nem me atrevo a contar.










