domingo, 27 de abril de 2008

Lua e fim de tarde 21 e 22/04



Aqui, captei o contraste do inicio e do fim do dia, com os dois astros bailarinos na sua dança perpetua, ora escondendo-se um do outro, ora unindo-se, como se de uma valsa se tratasse de dois apaixonados que não conseguem viver um sem o outro.


Se um nos ilumina os dias, outro ilumina-nos a noite e tornam juntos, a nossa vida mais feliz, como se isso fosse importante para mais alguém a não ser para nós.

domingo, 6 de abril de 2008

A Lua a caminho da fase de Nova, de 31/03 a 04/04


Entre o fim do mês de Março e os primeiros dias de Abril, pude assistir à conjunção da Lua com o planeta Júpiter e de seguida a diminuição do angulo de fase até quase se desvanecer como um ténue arco minguante. Muito bonitos os instantâneos, cerca das 06:30 e um bocado antes do nascer do Sol.





sábado, 5 de abril de 2008

Sex-feira 04/ABR/2008-Observações em REDONDO

Nesta sexta feira, 4/Abril, fui convidado por dois velhos amigos astrónomos amadores, para com eles ir observar numa das margens da albufeira da Vigia, localizada nas freguesias de Montoito e Redondo, do concelho com este nome. Ficam os meus agradecimentos a ambos pela espontaneidade do convite e ao Vitor Nunes pelo sitio que escolheu e por nos ter acompanhado nas e... durante as observações. No local estiveram nove astrónomos amadores.

Antes de rumarmos para o sítio das observações, passamos por uma churrascaria, cujo nome não lembro, quase ou... no centro da Vila de Redondo. Cada um escolheu o que quis mas… eu, como “romano”, não tive dúvidas em optar por um dos pratos conhecidos da gastronomia local. Penso que todos ficaram satisfeitos com o atendimento, qualidade, quantidade e preços, tanto assim que estou a pensar, quando da próxima visita, negociar com o dono do estabelecimento o fornecimento de apenas 1/6 dose!


Fazendo fé no que anteriormente me transmitiram, mal chegamos ao local das observações, verifiquei logo que o céu nos ia facilitar a observação, com grande brilho, de inúmeros corpos da imensidão celeste. As expectativas não goraram e, até às 3:00, com os telescópios expostos para uso (15”, 12” e 6”) e, principalmente pelo tlscp. 12” do J.Gregório, acompanhei-os numa hiper viagem cósmica, com inúmeras etapas em astros, pré e… na hora estudados/escolhidos.


Por indicação do Henrique Ferreira, assistimos a uma espectáculo extra, com inúmeras estrelas reflectidas na água da albufeira. Agradeço-lhe o sugerido, pois fiquei deslumbrado com a decoração, apesar da turbulência, digo águas um pouco agitadas. Observamos, claramente reflectidos na água, Orion e Cão Maior e…, porque não ? !, tentamos e conseguimos com êxito, com um binocular 12x50, observar M41, M42 e as Plêiades-M45.


Além dos objectos abaixo referidos, gostei de observar algumas galáxias do enxame de Virgem-Cabeleira de Berenice (algumas no mesmo campo de oculares grande-angulares). Em anteriores observações, noutros locais, já tinha contado seis ou sete mas desta vez contei mais e... muito mais evidentes.


Com o telescópio 12”, manobrado com mestria pelo proprietário e por quem lhe pediu, observamos CLARAMENTE os objectos a seguir mencionados e outros que me esqueci:

Saturno:
- Muito boas imagens do planeta com algumas das suas luas.


Em Canes Venaciti:
-Alfa (Cor Caroli), sistema estelar duplo físico a 110 anos-luz
-M3, enxame globular a 30 000 anos-luz
-M63, galáxia espiral a 30 milhões anos-luz
-M51, galáxia espiral a 30 milhões anos-luz
-M94, galáxia espiral a 20 milhões anos-luz
-NGC 4485 e NGC 4490, galáxias espirais a 40 milhões anos-luz


Em Canis Major:
-M41, enxame aberto a 2 500 anos-luz


Em Centaurus:
-NGC 5128 (Centaurus A), galáxia peculiar a 20 milhões anos-luz (próxima do horizonte e pouco clara)
-NGC 5139 (Ómega Centauri), enxame globular a 16 000 anos-luz (no horizonte, observado com binóculos)


Em Corvus:
-NGC 4631, nebulosa planetária a 4 000 anos-luz
Em Draco:
-NGC 6543 (Neb.Olho de Gato), nebulosa planetária a 3 000 anos-luz


Em Gemini:
-Alfa Gem (Castor), sistema estelar sêxtuplo físico a 52 anos-luz (observação da estrela dupla)
-M35, enxame aberto a 3 000 anos-luz
-NGC 2392 (Neb. Esquimó), nebulosa planetária a 2 500 anos-luz

Em Hercules:
-M13, enxame globular a 25 000 anos-luz e... ao lado a galáxia espiral NGC 6207
-M92, enxame globular a 30 000 anos-luz


Em Hydra:
-NGC 3242 (Neb.Fantasma de Júpiter), nebulosa planetária a 3 000 anos-luz


Em Leo:

-Gama Leo (Algieba), sist. estelar duplo físico a 125 anos-luz
-M65, M66 e NGC3628 (trio do Leão), galáxias espirais a 40 milhões anos-luz
-M95, M96, M105 e NGC3384, galáxias espirais a 40 milhões anos-luz


Em Lyra:
-M57 (Ring Nebula), nebulosa planetária a 1 800 anos-luz


Em Orion:
-M42, nebulosa de emissão a 1400 anos-luz


Em Puppis:
-M46+NGC2438, enxame aberto e neb.planetária, a 6000 e 4 000 anos-luz, respectivamente
-M47, enxame aberto a 1 800 anos-luz


Em Serpens:
-M5, enxame globular a 25 000 anos-luz


Em Ursa Major:
-Zeta UMa (Mizar), sistema estelar físico a 80 anos-luz (observação da est.dupla)
-M81, galáxia espiral a 13 milhões anos-luz
-M82, galáxia irregular a 13 milhões anos-luz
-M97 (Neb. Coruja ou Mocho), nebulosa planetária a 2 500 anos-luz
-M101, galáxia espiral a 25 milhões anos-luz-M108, galáxia espiral a 45 milhões anos-luz


Em Virgo e Coma Berenices (*) :
-M104 (Galax.Sombrero), galáxia espiral a 50 milhões anos-luz
-M64 (Galax. Olho Negro ou Mau Olhar), galáxia espiral a 22 milhões anos-luz


(*) Nestas duas constelações, foram tantas e tão evidentes as galáxias observadas, muitas no mesmo campo da ocular, que nem me preocupei com os Messier.


Até breve.

A solidão ás vezes é boa companheira

Esta Sexta-feria, a minha bussola tomou a rota da Atalaia. Com a chegada de pior tempo para este Sabado pensei que hoje seria o melhor dia para mais uma saida astronómica. Dos participantes desta noite para meu espanto, fui só eu. O céu esteve limpo no pouco tempo que lá permaneci mas a sua transparencia não estava boa. A temperatura era de uma noite de Verão Aproveitei para testar algum equipamento novo e afinar alguns pormenores que já algum tempo andavam pendentes. Com o local tão calmo, deu para sentir a fauna local, entre alguns piares de corujas, Cães e Relinchos de Cavalos, passei o tempo a revisitar alguns objectos astronómicos. Levei o meu pequeno ED80, que como sempre me maravilhou com as suas vistas. Do que vi, os que mais me agradaram foram a M81 e M82, as minhas preferidas de á muito tempo, a M46, M42, M1 estava tão sumida que dificilmente se percebia e algumas estrelas duplas. Estive bastante tempo deitado sobre o capot do carro apenas a deliciar-me com o que me rodeava á volta e sobre mim, estamos em tempos de mudanças e provavelmente este céu que temos tão próximo de Lisboa com o tempo vai desaparecer e teremos de rumar a novas paragens.

Luis Evangelista

domingo, 30 de março de 2008

Lua filtrada - Algarve - 22-03-2008


A Lua cheia filtrada pelas nuvens, é sempre um grande espectáculo, pelos reflexos e cores que é possível adivinhar, no seu potente piscar de olhos espreitando para a Terra banhada de luz.
Foto obtida na Páscoa em terras Algarvias.

domingo, 2 de março de 2008

ATALAIA - Sexta-feira 29/FEV2008

Com muita humidade, céu aparentemente limpo mas pouco transparente, nesta sexta-feira estiveram na Atalaia cinco astrónomos amadores. Como fui o último a chegar, por volta das 21:30, reparei que os restantes já tinham recebido muito daquilo que o céu e o local oferecem e o Hugo, daí a pouco tempo, quando terminou as suas tarefas, até se despediu-se de nós e do sítio.

Munido com a luneta 120 f/8,3 em montagem Giro e com o “projecto” de separar tudo o que fosse dupla e múltipla, lembrei-me então que algo me escapava: exactamente aquilo onde queria projectar estrelas! Valeu-me o amigo J.Gregório ao oferecer-me uma esferográfica e quase 1/2 resma de papel A4. Os meus agradecimentos ao João.

Então, com a luneta no tripé e o tabuleiro deste servindo de secretária, comecei a observar, a apontar e a chamar os amigos para confirmarem a veracidade, ou… não, dos pontos :). As primeiras duas ou três estrelas vaticinaram-me noite fantástica mas a partir da sexta ou sétima, já com o telescópio e o papel alagados, resolvi arrumar a tralha e simplesmente recorrer ao convívio habitual ou… histórico da planície.

O desenho que me propus elaborar da constelação Escorpião, com M6 e M7 a tentarem envenenar Sagitário, resolvi adiá-lo para outra noite mais límpida. Enfim, o trabalho campestre que considero digno, quando… executado por outros com… “canetas” e outras alfaias, nunca me seduziu. Já tentei fazer carreira mas, infelizmente, sempre fracassei como escritor da e na terra mãe.

Em baixo o resultado do ínfimo labor que na altura recebeu aprovação unânime pelos astrónomos presentes naquele mar outrora fervilhado de espécimes, digo… estrelas que, actualmente, já se contam pelos dedos e no futuro serão substituídas por inumeras aeronaves. Lembrei-lhes que o nosso futuro poderá passar pelos desenhos e pinturas de estrelas, galáxias, nebulosas, etc. nos azulejos dos futuros aeroporto e estação do TGV e que, começando agora os treinos, depois até poderemos ser dos mais solicitados !

Analisados por um trio de astrónomos, estes autorizaram-me que seus nomes constassem nas legendas dos desenhos infra se, eu não fugisse ao acordado de...noite. Acho que não, penso que o trabalho está à altura dos meus pergaminhos e… espero que gostem.

Começamos a observação por Cassiopeia para resolvemos a sua estrela dupla mais brilhante. Infelizmente esqueci-me do ET (para desenhar) e de observar outros enxames abertos.


Depois partimos para Mizar e Alcor. Como se observam facilmente a olho nu ou com binóculos como bonito par, resolvi introduzi-las na mesma ficha, mesmo crendo que pela enorme distância entre elas, não orbitam o mesmo centro de gravidade. De algumas galáxias da Ursa Maior que tentei observar, apenas tive acesso a pequenas, cizentas e ténues nebulosidades. Fica aqui então o trio Mizar A e B + Alcor !


A seguir partimos para Cães de Caça e para a sua estrela Alfa, Cor Caroli, cujo nome lhe foi atribuído por E. Halley como homenagem a Carlos I que morreu executado ou a seu filho Carlos II que lhe sucedeu. Na constelação também tentei observar algo que me parecessem galáxias mas apenas vi algumas nebulosidades insignificantes.


Também observamos a estrela Polar que, desde há milénios, muito útil tem sido para astrónomos, caminheiros, navegantes, etc. para se orientarem.


Passeamos pelo sítio do Corvo e separámos a sua estrela óptica Algorab. Quase no centro da constelação tentei observar a nebulosa planetária NGC 4361 mas, com o meu refractor, com a pouca transparência celeste e com a luminosidade recebida do horizonte (talvez de Pegões), apenas consegui ver uma ténue mancha cinzenta. Como a constelação é pequena, resolvi desenhá-la com a estrela dupla.

Depois com Orion já perto do horizonte, lembrei-me, por acaso, de separar Rigel. Com muita dificuldade lá conseguimos e o desenho é uma cópia fiel do observado.

Ao gémeo de Polux, o... Castor, tentamos parti-lo ao meio e... ele lá nos observou com o seu par de olhos desiguais!


Finalmente saltamos para a Juba do Leão, para resolvermos a dupla Algieba e a sua história. A separação da dupla foi fácil mas a miscelânea de histórias e lendas recebidas de alguns povos da antiguidade, nomeadamente, sumérios, gregos, latinos e árabes, foi tanta que, desta vez, nem me atrevo a contar.


Tal como referi anteriormente, quando conclui estes trabalhos entreguei-me à conversa e... esta foi tanta, mesmo com algum nevoeiro surgido durante a noite, que só acabou às 6 da manhã.


Até breve.


Observação na Atalaia - Sex. 29/02/2008



Esta foi a primeira observação que fiz no presente ano, no último dia de Fevereiro, tendo ido para o local bem mais cedo do que é costume. A Lua encontrava-se em fase de quarto minguante e encontrei já no local o João Gregório, Hugo Silva e o Rui Rodrigues, tendo chegado depois o Francisco Gomes.



A noite estava com demasiada claridade para o meu gosto, devido à muita humidade na atmosfera, que reflecte a cada vez maior poluição luminosa, que vai inundando a toda a volta como uma praga que alastra silenciosamente.


Se há cerca de uma meia dúzia de anos, em noite de Lua Nova, nem víamos as caras uns dos outros, agora vê-se às claras, sem grande esforço, quase as marcas das roupas (...). O futuro não é risonho, nestas paragens, para os amantes deste hobbie nocturno.



Após instalar o equipamento, LXD75 e o Newtoniano 8", observei um pouco ainda nas imediações de Orion e do Leão, com o Saturno muito bonito junto à sua "pata da frente". Depois no refractor do Francisco, o planeta também se via muito bonito, com alguma tonalidade adicionada pelas lentes, que pintavam com não pouca aberração cromática, quer as estrelas duplas que perseguiu e desenhou toda a noite, quer o próprio "planeta orelhudo", como Galileu lhe chamou.



Com a reflex EOS350D, ainda tirei algumas fotos, que não ficaram nada de jeito, quer pelo alinhamento muito deficiente da montagem, quer pela fraca estabilidade do setup, quer pela claridade e humidade no céu. Mas, ficou um pequeno registo, no qual se podem ver, o planeta Saturno com algumas das suas luas (Enceladus, Rhea, Thethis, Dione e talvez Titan e Hyperion), M104 (galáxia do Sombrero em Virgo), M51 e NGC 5195 (galáxia Whirlpool em Canes Venatici), M101 (galáxia em Ursa Major), NGC 6543 (nebulosa planetária Cat´s Eye em Draco), M97 (nebulosa planetária Owl em Ursa Major), M81 e M82 (galáxias em Ursa Major), duas galáxias que não sei bem quais são no enxame em Virgo (M85 e NGC 4394?), Estrela dupla Algorab (delta Corvi - SAO 157323) e Estrela dupla Mizar (zeta Ursae Majoris - SAO 28737).