terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Observação - Sexta 30/11/2007 – Atalaia com grande entusiasmo astronómico !


Desde tenra idade aficionado pela interpretação com os próprios olhos e outras ópticas de coisas do além que… brilham nos céus, resolvi há aproximadamente 8 anos aderir à comunidade astronómica amadora para enriquecer o meu curriculum e para, quem sabe, com minhas fúteis observações e reportagens poder captar futuros talentos para a astronomia portuguesa :)). Ficam os meus agradecimentos a todos pela confiança depositada !


Então …, juntamente com as fotos da autoria do Luis Campos, passo a relatar:



Nesta sexta-feira 30/11/2007, o rectângulo da Atalaia fervilhou com a presença de 51 observadores habituais e outros não residentes. Foi a minha segunda visita ao local desde que a entrada foi decorada com um grande portão de ferro tendo, da primeira, quando com ele deparei, augurado futuro difícil para muitos astrónomos e da segunda, já conhecedor do malogrado predito, consegui com algumas peripécias estrondosas, o acesso ao famoso rectângulo astronómico.


Quando cheguei ao astronódromo, já lá se encontravam o José Ribeiro a quem cumprimentei e já estava de saída, o Henrique, o Hugo, o J.Gregório, o J.Nuno e o R.Tripa, tendo mais tarde aparecido o Ulisses, o Alberto, o L.Campos, o L.Martinho e um grupo de professores, alunos e alguns familiares.



Os equipamentos astronómicos transportados para o local foram telescópios: 2 de 12”, 2 de 10”, 2 de 8”, e vários de 6”, 4”, 3”; diversos portáteis e câmaras; um binoviewer e outros acessórios.


Enquanto alguns entusiastas se concentraram em extrair ao céu fotos para a posterioridade, outros foram respondendo ao solicitado pelos novos visitantes. Eu e o meu Dobson 10” todo-o-terreno fomos dos mais inquiridos, só lamentando, sinceramente, não ter programado com a eficácia exigida a observação, atendendo à pouca experiência nestas lides dos novos entusiastas, pois penso que baralhei demais a aprendizagem pretendida. Para a próxima tudo correrá melhor, levarei de casa a lição estudada com 4 ou 5 constelações e estrelas, outros tantos objectos do céu profundo e os planetas observáveis.



Ainda sobre o meu Dobson 10”: Finalmente foi testado a 98% ! Atendendo à sua qualidade ou… redução óptica o mesmo, noutras áreas, revelou-se um todo-o-terreno como nunca vi, servindo de telescópio, banco e cadeira de rodas; enquanto alguns alunos por ele observavam outros, incomodamente, nele se sentavam. Para a próxima, se… alguém me lembrar, até poderei “atar” um mealheiro para ver o que cai para sandwiches, pipocas e coca-colas para os professores!! A tentativa poderá não chegar ao "nível" da futura prospecção de ouro negro ou dourado na Atalaia mas… talvez, quem sabe, algo mais… consumível, desprezível ou… comestível :))


Foram indicadas a olho nu aos professores, alunos e seus familiares a localização, disposição, nomenclaturas, magnitudes, etc. de várias constelações, estrelas e planetas e, pelos telescópios, alguns objectos do céu profundo, ex. Constelações, outros: Ursa Menor e estrela Polar; Ursa Maior e diversas estrelas; Cassiopeia, algumas estrelas e NGC 457 o ET; Andrómeda, várias estrelas e M31, M32 e M110; Orion, algumas estrelas e M42/M43; Perseu, várias estrelas e NGC869/NGC884-duplo enxame de Perseu; Touro, algumas estrelas, M45-Pleiades e Mel 25-Híades. Planetas: Lua, Marte e Saturno. Mais tarde, após a saída dos citados visitantes, lembrei-me, por acaso, de pedir ao João Nuno para testarmos o meu binoviewer WO no seu telescópio LB 12” e, surpresa das surpresas, eles mostraram imagens inesquecíveis de Marte, Saturno, Lua, M42/M43, etc.


Finalmente ... , por volta das 2:30, os últimos resistentes regressaram às suas origens para mais uma semana de labor e convívio mas, para a semana, sem nuvens, voltaremos à Atalaia para "ler" mais alguns astros :)


Obrigado a todos e até breve. Voltem sempre, antes da... construção do novo aeroporto !

sábado, 1 de dezembro de 2007

Observação na Atalaia - Sex. 30/11/2007 - Noite cheia


Em noite de grande enchente no recinto da Atalaia, com a visita de professores e alunos, foi a minha primeira visita ao local desde que está fechado com um portão, tendo-me à entrada cruzado nele com o José Ribeiro, que se retirava.


Encontrei no sitio de observação o Francisco Gomes, o Rui Tripa, o Hugo Silva, o João Gregório, o Henrique Ferreira e o João Nuno, tendo depois chegado também o Alberto Fernando, o Luis Campos, mais outros colegas e o grande grupo de professores e alunos, tendo totalizado no local cerca de 50 pessoas.


Enquanto uns se entretinham na aquisição de imagens, outros testavam os novos equipamentos, como o Meade LightBridge 12" do João Nuno e a binoviwer William Optics do Francisco.


Entretanto, o Alberto e o Francisco fizeram um bela recepção ao grupo de alunos e mostravam-lhes o céu com os Dobson 10" disponíveis e respondiam às suas perguntas.


Fiz mais uns testes com a Canon EOS 350D e o tubo reflector Orion 8" com a montagem LXD75, tendo tido grandes dificuldades no processo de focagem da câmera, quer no foco primário da OTA, quer com as objectivas EF-S 15-55mm e SIGMA DG 70-300mm em modos manuais. Fez tambem muita falta um interruptor eléctrico para o disparo da câmera sem a fazer tremer, o que se nota muito nas fotos. Mas aqui envio alguns exemplares de fotos do cometa P17/Holmes, da M42 e NGC 1975-77, da M31 M32 e M110, da M82, do M46 e da NGC 2438 e da Lua, sem empilhagens nem processamentos.















segunda-feira, 26 de novembro de 2007

17P/Holmes



Como não podia deixar de ser, tinha que colocar aqui uma referência ao cometa surpresa, 17P/Holmes, que na constelação de Perseu tem maravilhado os astrónomos pelo mundo inteiro, seja nas oculares dos telescópios, pelo binóculo, a olho nu, ou em fotos maravilhosas como aquela que aqui mostro e que foi publicada no APOD em 21-11-2007.

sábado, 17 de novembro de 2007

A Canon 350D e as objectivas EF-S 15-55mm e SIGMA DG 70-300mm



Tendo já há cerca de três meses adquirido a reflex digital da Canon, EOS 350D, com o objectivo de ter uma máquina fotográfica semiprofissional e com grandes capacidades para fotos tanto diurnas como nocturnas, dado o seu sensor CMOS de grande sensibilidade, resolvi agora juntar ao conjunto do corpo e da objectiva EF-S 18-55mm fornecida, uma objectiva SIGMA DG Macro 70-300mm F4-5.6, especialmente tendo em mente conseguir não só fotos de grande campo, mas poder obter fotos mais localizadas e com maior zoom de porções do céu especificas.



Esta objectiva é consideravelmente mais pesada e tem claro um campo muito menor que a original fornecida com a máquina e o seu uso já recomenda um tripé, especialmente para uso em grandes amplificações.





Foi uma surpresa os resultados que tenho obtido e que tenho vindo a testar com agrado, especialmente dado o seu preço de cerca de 150 Euros.


Esta objectiva tem uma grande qualidade e vem fornecida com as necessárias tampas das lentes à frente e atrás e um escudo para protecção contra os reflexos na lente frontal.


O seu uso em modo macro é obtido por combinação dos switchs de zoom em foco manual e do switch macro, que obriga à colocação da distância focal em 300mm pela selecção no anel de zoom e depois a focagem manual é efectuada no anel respectivo.


A precisão de focagem em modo auto-focus é bastante boa e tem uma resposta bastante agradável.


Não notei grande aberração cromática na lente, mas outros testes são necessários bem como espero em breve poder fazer testes com o conjunto em pigi-back na montagem equatorial LXD75 e em céus nocturnos.


Coloco algumas imagens do conjunto e do uso das duas objectivas referidas com distâncias focais crescentes, para teste da sua performance.



As três fotos seguintes foram tiradas com a objectiva Canon EF-S 15-55mm a distâncias focais de 18mm F/10, 35mm F/11 e 55mm F/11, ambas a ISO200 respectivamente.


















As três fotos seguintes foram tiradas com a objectiva SIGMA DG Macro 70-300mm F4-5.6 a distâncias focais de 70mm F/10, 133mm F/8 e 300mm F/8, ambas a ISO200 respectivamente.






domingo, 4 de novembro de 2007

Observação na Atalaia - Sáb. 03/11/2007




Ontem, aproveitando a noite óptima de sábado, no fim-de-semana antes da Lua Nova, dirigi-me à Atalaia, tendo encontrado no recinto, por volta das 21:30, os companheiros de observação Francisco Gomes, Luís Evangelista e mais dois outros frequentadores esporádicos, um chamado David e outro que não fixei o nome. Um pouco mais tarde juntou-se a nós o Joaquim Rosa.


O céu estava muito bom e era possível observar muito bem a olho nu o cometa do momento 17P/Holmes, que se apresenta por observação directa como uma mancha circular difusa, quase como uma nebulosa planetária. A sua visão na ocular do Dob10" do Francisco e no meu N8" era pura e simplesmente estonteante. O detalhe leitoso e branco do núcleo e cabeleira circular é espectacular. Estava habituado à sua visão da janela de casa com o binóculo e com o AS4", mas o salto de detalhe e tamanho com o 8" é brutal. Lindo de se ver. Foi perfeitamente visível que o cometa apresenta do lado direito, pela visão na ocular, uma fronteira perfeitamente circular, sendo no lado esquerdo mais difusa a sua fronteira, mostrando claramente a direcção da sua cauda. Certamente o mais belo cometa que já vi pelo telescópio.





O planeta Marte era também um possível alvo a não perder, mas dada a grande distância a que se encontra, ainda tem pouco interesse em observação visual, sendo necessária grande amplificação para poder perceber a sua calote. É uma pena, pois as excelentes fotografias de Marte do Paulo Casquinha, deixam-nos maravilhados.


Gostei particularmente de visitar as belas galáxias na Ursa Maior e a célebre nebulosa no Touro, bem como a mais espectacular nebulosa em Orion. Os enxames de estrelas em Pupis e em Auriga também são de uma visão espectacular. E claro os belos enxames em Cassiopeia e Perseu e a magnífica galáxia de Andrómeda, um alvo que nunca se perde, sempre que é possível observá-lo.




Por volta das 02:00, já o Leão se erguia e a Lua ameaçava aparecer, o vento gélido começou a fustigar-nos a face e era a hora de arrumar e rumar a casa.


Esta noite foi curiosamente uma experiencia única, quase nostálgica, pois foi possível ter no recinto um grupo de entusiastas do céu, em alegre convívio, como nos bons velhos tempos, espreitando unicamente os objectos pela ocular dos telescópios.